Posted by: glau30 | 18 Julho, 2008

Sabichões

Estou cansada dos sabichões.

De todos os tipos, indiscriminadamente.

 

Cansada dos sabichões intelectuais: inventam estatísticas, dizem que já leram o tema em alguma revista (sem citar a fonte), que pousam de “bonitos” com as informações vistas na primeira página do jornal.

Gabando-se de suas “inventices”, fingem sustentar a conversa com qualquer pessoa e falam de qualquer assunto. Com a propriedade rasa de dar a última palavra, contrariando, muitas vezes, quem discorda da sua certeza.

São estes caras que querem entender de vinhos pela premiação dada pela “Vejinha”, acham “chic” falar de charutos cubanos (mal sabem do nosso tabaco…), e quando não entendem o que um expertise fala, simplesmente se fazem de rogados e se rasgam para desmoralizar seu “oponente”.

Estes são os que não aprendem, os papagaios de almanaque.

 

Estou igualmente cansada dos sabichões emocionais.

Estes, mais perigosos.

Os julgadores dos sentimentos alheios.

Estes analisam, logo de cara. Já dizem como você é e como poderia ser, de acordo com o certo absoluto e dogmático de suas verdades.

Não, só eles são normais. Você sempre está equivocado. Não importa o quanto. Pouco ou pouquíssimo, mas sempre é você.

É aquele que acredita que alguém escreve no blog para desabafar seus problemas, que os poemas bons já foram escritos, que toda a tristeza do outro é sempre injustificável.

Embora tenha sempre a crítica na língua, nos olhos e no coração, insiste que nunca reclama, sempre um sopro humilde.

Ah, e tira satisfações se a carapuça do texto que leu lhe serviu. Diz que foi dele que você escreveu. É mesmo um humilde, como podem notar.

 

O reconhecimento do sabichão é fácil.

Ele é sempre um simbionte. Precisa de alguém que saiba, de uma inspiração real. Ele vive à sombra do saber. Contentando-se com o superficial e contínuo ato de perceber só o que lhe interessa. E o sofrimento está em não se libertar de idéias engessadas, em não se revitalizar. É a mente sempre aflita, é a cópia mal feita do ser feliz.

 

A precaução é o melhor remédio.

Fique longe do sabichão. Distancie-se das pessoas que tudo sabem, mas, na hora “H” deixam que você decida. E depois, cobram da sua atitude um caminho impossível, um desafio cruel, uma rua sem saída.

 

Conforme-se em não saber. Busque o conhecimento sempre. Trilhe seu caminho da vitória com tolerância e dignidade.

Posted by: glau30 | 13 Julho, 2008

Os relacionamentos são difíceis

Atendo um paciente que, além de seu problema tiroidiano, sempre me surpreende com a mesma fala “os relacionamentos são difíceis”.

Como era uma máxima, e eu de ouvinte - como todo médico deve ser –internalizava como sendo parte da consulta.

 

Entre as tantas outras consultas e histórias, sempre, de algum jeito, escutava a mesma frase. E não retrucava nada, entendendo aquele momento de desabafo e não mais pensava neste determinado assunto.

Sempre tive comigo que o relacionamento é a palavra chave para tudo dar certo. Desde de parar o carro com o manobrista, a resolver uma indicação de cirurgia. Sim, se nós nos relacionarmos adequadamente, tudo evolui, tudo se esclarece.

Mas, acontece que nem tudo é mesmo assim. E não era destes relacionamentos que ele me falava.

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Posted by: glau30 | 4 Julho, 2008

Benedito, gato Dito.

Meu gato Benedito adoeceu muito. Ele me acompanha desde o primeiro mês de faculdade. Foi roubado da área de experiências, enfiado forçadamente no bolso do jaleco, raptado para eu ter companhia.

São 17 anos de parceria com altos e baixos, pulos e miados.

Mas, sempre aí. Passou por namoros, casamentos, decepções.

Encontrou amigos, paixões, amor.

 

Reparei hoje, durante a cirurgia para retirar uma parte do seu intestino, que ele estava magro, de pêlo branco, desdentado. O Dito está velho. O Dito está cansado. E firme, agüentou mais uma, recusando-se a dar espaço para o não continuar.

E eu também, cada dia mais.

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Posted by: glau30 | 13 Junho, 2008

Médicos ilusionistas

Ainda existem pessoas que acreditam naqueles médicos que prescrevem as “fórmulas mágicas”. Promessas é que não faltam: emagrecimento “zás-trás”, perda de medidas definitivas; e conferem, a cada componente da imensa gama de 20 ou 30 combinações de nomes fitoterápicos, um significado próprio e único. A lista é tão grande que não cabe em uma única cápsula. E a mistura imprópria de diuréticos com hormônio tiroidiano, laxantes e anfetamínicos, só vão piorando a situação.

 

Longe de mim, eu ser contra prescrições com fitoterápicos, homeopáticos, ou mesmo os alopáticos seguros e comprovados no auxílio para perda de peso. Sou favorável, muito favorável. Desde que se tenha ética, ciência e consciência.

E estas três devem estar BEM equilibradas quando se bate o carimbo com o número do CRM no receituário. É o que seu paciente espera e, o mínimo que nós, filhos de Esculápio, devemos fazer para “conservar imaculada nossa vida e nossa arte”, se me permitem parafrasear o juramento de Hipócrates. Jurou, tá jurado! Esta é a parte médica. Frustro um pouco aqueles que entram em minha sala e esperam sair com milagre já em andamento…

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Posted by: glau30 | 9 Junho, 2008

A saúde da mãe vale ouro

Depois de longos e tenebrosos congressos, retorno ao blog. E escrevo com saudade de quem lê e com vontade de dizer como a saúde está doente.

Aliás, só tem mesmo uma Saúde com “S” maiúsculo quem tem muito (mas muito mesmo!) dinheiro.

 

Tristemente tive que pernoitar nestas últimas semanas num hospital. Afinal, mãe é única e a minha, muito mais que única. Durona.

Minha excursão chegou as três da manhã nas portas de um (dos dois) hotéis, melhor dizendo, hospitais de luxo de São Paulo. E ela gemia mesmo, era de dor. Era claro que não me identifiquei com todas as patentes para o meu colega, médico ortopedista que deu o primeiro atendimento. Achei que seria deselegante e desnecessário. Ledo engano. Ela fez seu primeiro exame de imagem, depois de eu muito insistir e após uma punção naquele joelho doente,  procedimento que ele acidentou – às seis horas. O plantão troca somente às sete, mas já as seis ninguém mais fazia nada. Era a “pré- passagem” do plantão. Às nove ela ainda estava deitada na maca do pronto atendimento, agora já sem a roupa (nem aquele “aventalzinho chinfrim” que eles oferecem…) porque a auxiliar de enfermagem (com todo mal humor que podia) colocou a comadre de forma errada e deixou a roupa toda se molhar com urina. E, eu vi minha mãe chorar, de vergonha e dor, pela primeira vez nesta internação.

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Posted by: glau30 | 24 Abril, 2008

Desculpeiros de plantão: não há desculpa sem culpa

Procurava o que leva uma pessoa a se encher de desculpas.

O “desculpeiro” não se dá conta de seus enganos, de suas desculpas. E vai acreditando nelas de forma tão fiel e tão arraigada, que, sem crítica, passa a vivê-las intensamente, mesmo que elas ainda tenham a toda a pinta de “desculpas esfarrapadas”.

Desculpas pelo comer errado e não mudar. Desculpas pelo não se exercitar, e, de novo, não mudar. Desculpas por não admitir que vive um mundo seu, de lautas desculpas e não mudar. E vai se desculpando pela vida afora, achando que engana alguém, tendo a certeza de que não se engana, mas nada muda.

 

E as desculpas são muitas: a falta de tempo, o trabalho excessivo, a falta de vontade, o cansaço de tudo, o trânsito de São Paulo, a doença que nem sequer existe, um relacionamento que é questionável, a mãe que não ajuda, o marido que só critica, o chefe que cobra muito, a meta que tem a cumprir. Sem falar naqueles que só lamuriam o que foi dele antes das desculpas… Antes delas era outra pessoa: tinha muitos quilos a menos, fazia atividade esportiva e fumava, podia beber e comer de tudo, dormia o sono dos justos, e nem se lembra que, nesta época, também não se desculpava tanto.

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Posted by: glau30 | 8 Abril, 2008

Sö pa:a arte da paciência

Uma vez ouvi o Dalai Lama dizer que se quisermos alcançar felicidade genuína, a contenção interior é indispensável.

Num primeiro momento, não entendi a frase e, quando achei que havia compreendido, discordei. Em meus argumentos, contenção era algo preso, sem liberdade, era algo que deveria sair com fúria e emperrava. E eu, como ser falante que sou, contenção interior remetia, quase que de imediato, ao cartaz de silêncio que via nos hospitais. Shhhhhhhhhhhh!

E ele continuava seu discurso com a palavra sö pa. No português, até era caricato. So-pa.  Sö pa, em tibetano, tem na sua tradução literal  “ser capaz de suportar”. Em sua tradução corriqueira, “paciência”. Ao mesmo tempo, nesta língua, esta palavra encerra a noção de resolução e de coragem. E como a paciência - ou mesmo, no mais certo significado, ”a capacidade de suportar”, que, para mim, era tão delicada e sem ação, poderia transformar-se na força para resistir aos sofrimentos?

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Posted by: glau30 | 1 Abril, 2008

Ih…BOPE!

É engraçado ver como um ponto de vista tem muitas vertentes…

Uma revista semanal publicou que empresas contratam comandantes que foram do BOPE para palestrarem sobre motivação aos seus empregados de vendas.

Imagine só.

Para mim, que vivo buscando a saúde e o bem estar pessoal, é um tanto difícil comparar as situações. Os policiais do BOPE existem há tempos na sua missão ingrata de controlar situações delicadas. Vivem perigos, trabalham muito, arriscam-se muito e, só há pouco, depois do filme, ficaram conhecidos. Ah, pelo menos naquela hora e meia eles são Heróis. Com escolhas difíceis e um treinamento mais difícil ainda, eles devem sempre - em equipe - cumprir seu dever, trabalhar. Assim é a rotina de quem vive um pouco para o outro ser humano. Não se preocupam se são verdadeiramente Heróis, eles trabalham.

Como os bombeiros, que (simpaticamente) resgatam gatos em árvores e com a coragem redobrada tiram os corpos dos escombros depois do acidente da TAM. Eles trabalham.

Como os médicos socorristas que dão glicose ao bebum que chega, de madrugada, no pronto-socorro ou reanimam (às vezes não uma única vez) a parada cardíaca de alguém jovem que já levou mais de um tiro na vida. Eles trabalham.

Como os lixeiros, que na chuva ou sol, retiram o lixo que produzimos sem parar e que não reciclamos, não separamos os objetos cortantes, e eles, andando do lado do caminhão fedorento, trabalham. 

Trabalham bem e não tem palestras de motivação. Leia Mais…

Posted by: glau30 | 20 Março, 2008

Os meus amigos

Muita gente fala que amigos se contam nos dedos de uma mão. Acho que tenho sorte: encho as duas mãos e ainda conto alguns dedinhos dos pés. Mas eu estou falando de amigos DE VERDADE, de coração. Aquelas pessoas que você não só escolhe, mas também é escolhido por elas.

Gente que ri junto, gente que sofre junto. Mesmo estando lá no Japão, em Uberaba, Itaúnas, São Bernardo ou no Jardim Peri, não se contamina pela Dona Distância, não se amedronta pela Dona Saudade. 

Meus amigos são tão diferentes: eles não vivem o ócio, preferem errar a aceitar a acomodação. Não vivem a vida pelo dinheiro, conseguem muito menos do que lhes é merecido (sem que isso seja apologia à pobreza!) e convivem bem com a ganância pelo vil metal, sabendo que as pessoas (e seus atos) não tem preço. Carregam todas as dúvidas, todas as cismas, e, sem ter uma resposta certa, ainda assim, pensam em todas as possíveis respostas que daríamos juntos com a nossa mania de explicação.  

Estes são os amigos. Perguntam a você, respondem para você. Perguntam sobre você. Respondem por você. E isso tudo em horas inimagináveis. 

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Posted by: glau30 | 18 Março, 2008

Banco do Brasil

Tive a clareza de que, cada dia mais, somos destituídos de nos sentirmos pessoas especiais. Talvez, para quem leia, seja só uma desavença muito corriqueira, mas para mim não foi. Foi a percepção do número que valho (e, diga-se de passagem, não com muitos dígitos) e do quanto eu ainda não estou preparada para ser destratada por outra pessoa sem uma razão realmente coerente.

A história começa assim: fui transferir uma conta da agência de banco distante de casa para a mais próxima de onde moro. E já havia tentado isso há 2 meses atrás: deixei de trabalhar um dia e deixei também todo o xerox na mesinha de atendimento, mostrei todos os originais. Mas…faltou um, sempre falta. E fiquei de voltar, com a garantia de estar tudo pronto para abertura de uma nova conta: “tudo arquivado”, diziam. Não voltei rápido, e não importa o por quê para o banco que leva o nome do meu país.

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