Publicado por: glau30 | 14 Março, 2008

Somos os privilegiados, mesmo????

Privilegiados seríamos todos, se todos pudéssemos estudar, assim é que deveria começar, “meiar” e acabar o discurso do presidente, do governador, do secretário, do médico, do jornalista, do empresário, do estudante, da dona-de-casa, de todos os brasileiros… 

“Privilegiados não são os negros desta turma, e sim os brancos que tiveram a chance que a minha geração não teve: de estudar com negros”, afirmou o presidente Lula, patrono da primeira turma de formandos da Unipalmares, classificando a solenidade como um marco na conquista da auto-estima de negros e pobres. 

Foi assim que vi a notícia do jornal  do Terra, on line, em 14 de março de 2008. E fiquei triste. Muito triste. Um país tão “pré-conceituoso”, que vive tentando aumentar a auto-estima de negros? Ou que dá o privilégio do estudo de brancos e negros? Por quê? O negro não tem auto-estima, não a pode ter? Os brancos e negros não se toleram em uma mesma sala de aula? Ou mostra que, também nossos representantes ficam em “saias justas” quando tem que se referir a um comportamento feio, falho e insensato de toda a sociedade? 

Ser brasileiro é não ter raça definida. Até parece “vira-latagem”, mas é assim. Digo cientificamente: em trabalhos, quando vou preencher a cor do indivíduo, não sei. Fico em dúvida. Mulato, caucasiano (branco), negro? E quem lida com epidemiologia, no Brasil, sabe que este dado, em nossa população é inconsistente. Todos temos mistura. Todos somos mistura.  Mistura de tudo: de cor, de frustrações em não ter a mesma oportunidade ou de dividir os mesmos sonhos. Rezamos sempre, em muitos deuses, em muitas crenças para que isso acabe bem. Para que seja um país que respeite o indivíduo, independente de sua cor, seu estado civil (ih… as mazelas de ser amasiado!) ou de sua opção sexual. É mesmo necessário em uma ficha de emprego, para adquirir um cartão de crédito ou de vídeo-locadora que coloquemos um “x” no branco, mulato, negro OU asiático (amarelo (?), dá pra acreditar?), feminino OU masculino? Que diferença faria se a pessoa colocasse um “x” nos dois quadrinhos se soubesse que ela é biologicamente os dois? Sim amigos, também existe mistério nos cromossomos humanos… E quando a pessoa ainda não decidiu seu sexo psicológico (ah, também existe isso!) deixa em branco? Ela sendo feminino OU masculino, ou de uma cor definida, trabalharia melhor? Escolheria melhor o tipo de filme? O tanto de dinheiro que vai gastar? Ou o quanto a julgaríamos em nossa mente “tão uma coisa ou outra”?  Somos o sim ou o não, brancos ou negros, femininos ou masculinos, pobres ou ricos, felizes ou infelizes, corintianos ou palmeirenses.Esquecemos, que entre os extremos, há uma infinidade de “nem-sim-nem-não”, estes são o TALVEZ. E precisamos, antes de decidir se seremos os extremos, sermos TALVEZ, em algum momento de nossa vida. E, para aceitarmos o extremo de todos e a fase TALVEZ de nós mesmo e dos outros, temos que primeiro SER.Viu, senhores dirigentes?  Sejamos. Inteiros, bons seres humanos. Cada um fazendo seu pouquinho.   


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