Muita gente fala que amigos se contam nos dedos de uma mão. Acho que tenho sorte: encho as duas mãos e ainda conto alguns dedinhos dos pés. Mas eu estou falando de amigos DE VERDADE, de coração. Aquelas pessoas que você não só escolhe, mas também é escolhido por elas.
Gente que ri junto, gente que sofre junto. Mesmo estando lá no Japão, em Uberaba, Itaúnas, São Bernardo ou no Jardim Peri, não se contamina pela Dona Distância, não se amedronta pela Dona Saudade.
Meus amigos são tão diferentes: eles não vivem o ócio, preferem errar a aceitar a acomodação. Não vivem a vida pelo dinheiro, conseguem muito menos do que lhes é merecido (sem que isso seja apologia à pobreza!) e convivem bem com a ganância pelo vil metal, sabendo que as pessoas (e seus atos) não tem preço. Carregam todas as dúvidas, todas as cismas, e, sem ter uma resposta certa, ainda assim, pensam em todas as possíveis respostas que daríamos juntos com a nossa mania de explicação.
Estes são os amigos. Perguntam a você, respondem para você. Perguntam sobre você. Respondem por você. E isso tudo em horas inimagináveis.
Meus amigos são tão iguais: não disfarçam as lágrimas no “filme-de-chorar”, não levam tão a sério as reclamações pelas bobeiras do cotidiano, telefonam - mesmo tarde da noite - só pra dizer, pessoalmente, feliz aniversário.
Ah! Estes amigos… são aqueles que não são espectadores do Big Brother, não informam os últimos capítulos da novela, não se pautam por reportagens da Veja. Meus amigos não se conformam com a mesmice.
Meus amigos são um capítulo à parte do meu livro de aprender. Essenciais para minha harmonia, imprescindíveis para minha sanidade.
Meus amigos são meus amores. E amar é saber emprestar tudo o que há de bom na gente, sem tempo para devolução.
É, tenho sorte mesmo. Muita sorte.