Estou cansada dos sabichões.
De todos os tipos, indiscriminadamente.
Cansada dos sabichões intelectuais: inventam estatísticas, dizem que já leram o tema em alguma revista (sem citar a fonte), que pousam de “bonitos” com as informações vistas na primeira página do jornal.
Gabando-se de suas “inventices”, fingem sustentar a conversa com qualquer pessoa e falam de qualquer assunto. Com a propriedade rasa de dar a última palavra, contrariando, muitas vezes, quem discorda da sua certeza.
São estes caras que querem entender de vinhos pela premiação dada pela “Vejinha”, acham “chic” falar de charutos cubanos (mal sabem do nosso tabaco…), e quando não entendem o que um expertise fala, simplesmente se fazem de rogados e se rasgam para desmoralizar seu “oponente”.
Estes são os que não aprendem, os papagaios de almanaque.
Estou igualmente cansada dos sabichões emocionais.
Estes, mais perigosos.
Os julgadores dos sentimentos alheios.
Estes analisam, logo de cara. Já dizem como você é e como poderia ser, de acordo com o certo absoluto e dogmático de suas verdades.
Não, só eles são normais. Você sempre está equivocado. Não importa o quanto. Pouco ou pouquíssimo, mas sempre é você.
É aquele que acredita que alguém escreve no blog para desabafar seus problemas, que os poemas bons já foram escritos, que toda a tristeza do outro é sempre injustificável.
Embora tenha sempre a crítica na língua, nos olhos e no coração, insiste que nunca reclama, sempre um sopro humilde.
Ah, e tira satisfações se a carapuça do texto que leu lhe serviu. Diz que foi dele que você escreveu. É mesmo um humilde, como podem notar.
O reconhecimento do sabichão é fácil.
Ele é sempre um simbionte. Precisa de alguém que saiba, de uma inspiração real. Ele vive à sombra do saber. Contentando-se com o superficial e contínuo ato de perceber só o que lhe interessa. E o sofrimento está em não se libertar de idéias engessadas, em não se revitalizar. É a mente sempre aflita, é a cópia mal feita do ser feliz.
A precaução é o melhor remédio.
Fique longe do sabichão. Distancie-se das pessoas que tudo sabem, mas, na hora “H” deixam que você decida. E depois, cobram da sua atitude um caminho impossível, um desafio cruel, uma rua sem saída.
Conforme-se em não saber. Busque o conhecimento sempre. Trilhe seu caminho da vitória com tolerância e dignidade.