Publicado por: glau30 | 1 novembro, 2008

Volta ao mundo

Viajar sempre foi um vício. Enfrentei, de mochila (na grande maioria das vezes), quase todas as regiões do Brasil. Gostei muito. Sempre imaginei dar a volta ao mundo. Disso, todos sabem. Tenho sede de conhecer novas praias, novas culturas, novas pessoas. Tenho ânimo em tentar novas comidas, novos passeios e adaptar-me em novas e inusitadas circunstâncias. Alguns destinos são incríveis. Alguns detalhes destes destinos são de muito valor…

 

A rota do Saara.

Não foi sem pensar que me lancei sozinha para Petra.  A cidade vermelha escavada nas pedras da Jordânia, atravessando Israel e, depois, o Egito, de mochila. Todos queriam saber das pirâmides, das múmias, das roupas, da maravilha da cidade escavada. São maravilhas, de verdade.

Mas eu queria saber o que era de verdade. Eu queria me sentir tão humilde diante daquele muro, e ver se eu conseguia ficar sem lamentar. No Muro das Lamentações eu chorei, sem querer, com meu papelzinho na mão, procurando uma fresta prá me deixar por lá. O pedido era simples: escrevi ‘paz’. Acho que chorei porque vi que era tão utópico o que eu pedi, e, ali mesmo, rasquei outro pedacinho de papel e escrevi: obrigada.

Deixei 2 papéis, dos muitos que eu me entrego a desenvolver: ficar em serenidade e agradecer.

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Publicado por: glau30 | 16 outubro, 2008

Dia do Médico

Que profissional é este que precisa de um dia ao ano?

Como se resolvesse todas as curas em 24 horas.

Recebo muitas lembranças, é verdade.

Mas, quero poucos agradecimentos.

 

Um paciente propôs, em um minuto de consulta, que o médico devia cobrar uma primeira consulta cara (o que, para ele, gira em torno de 500 ou 600 reais) só para fazer diagnóstico e, depois, fazer uma taxa de manutenção, baratinha (o que, para ele gira em torno de 90 reais). Não, eu não ri. Fiquei séria e, acreditem (!), pensei na lógica desta idéia.

Como ele é da área de exatas, cobra por projeto. Imaginei que ele pudesse estar pensando na saúde humana como a colocação de uma viga, para não cair.

 

Um médico para se formar, na área básica, precisa de 3.153.600 minutos.

Ainda tem mais 3 ou 4 anos (1.576.800 ou 2.102.400 minutos) de especialização.

Plantões de 24 horas, pelo menos 1 vez por semana, durante os 2 últimos anos da Universidade. Não tendo sábados, domingos ou feriados. Às vezes, um de 12 horas, durante a semana também, à noite, claro.

 

Decidindo pelo mestrado, mais 1.051.200 minutos e, se decide pelo doutorado, mais 2.102.400 minutos.

No meio disso tudo, desde a formação básica até sempre, pelo menos 2 a 3 congressos de 2 a 3 dias por ano. Todo ano, se quiser estar minimamente por dentro de sua área. Atualmente, o médico que se preocupa com a atualização, estuda, em média 2h por dia, depois (ou antes) de seu dia de trabalho, numa jornada que dura, em atendimento, uma média de 8 a 10 horas ao dia, fora o tempo de se deslocar aos vários locais de trabalho. Sim, vários. No mínimo, dois. E se tiver procedimentos cirúrugicos, tudo pode demorar ainda mais…

 

Não falemos dos convênios que pagam 50 reais pela hora médica, valor fixo. Esqueçamos que isto existe e que são a grande maioria (sim, você fez a conta certa, 40 horas semanais = 2000 reais ao mês!). Se credenciado em uma excelente medicina de grupo, o que poucos são, ganham, em média, 20 a 30 reais por consulta, pagos a cada 45 dias. Não, não é CLT. Dão notas fiscais. Retire 13,33% de impostos, DARF, etc, etc, etc… E se atendem no local da seguradora, pagam um comodato de 20 a 30% sobre seu total dos ganhos. No mínimo já estamos sem 33,33% do valor recebido. Geralmente, trabalham por produtividade, atendendo cerca de 3 pacientes por hora, o que muitos convênios acham pouco, e encaixam mais 2 pacientes neste tempo.  A tabela de referência indica um valor mínimo pela consulta médica de 42 reais. Então, sem direitos a férias reembolsadas, 13º., sem vale transporte ou vale refeição, cesta básica, auxilio creche e, ganhando abaixo do valor mínimo estipulado no mercado, por que este profissional se submete a isso?

 

E a parte acadêmica? A historinha é quase a mesma: nas universidades públicas não consegue ser contratado em dedicação exclusiva, tampouco em dedicação parcial, fica atendendo nos ambulatórios como amigo-da-escola, sempre fazendo uma pesquisa ou um trabalho – com uma infinidade de nomes, na hora da publicação – sem receber salário ou incentivos.  Em algumas universidades privadas, oferecem 33 reais pela hora aula, sim (!) você pensou certo, para ensinar alguém a ser médico não se consegue o valor da categoria de doutorado, mesmo tendo o título (mostram uma tabela, tirada de algum lugar 58 reais e pagam 33…, no mínimo incoerente?). Mas, por que este profissional se submete a isto?

 

Não, não é pelo sacerdócio. Medicina não é sacerdócio, é profissão. E profissão envolve realização pessoal, além do dinheiro.

Sim, são as escolhas da vida.

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Publicado por: glau30 | 25 setembro, 2008

Regra de ouro

Uma regra de ouro é tratar alguém exatamente como quer ser tratado. Procure sempre se colocar no lugar da pessoa, de qualquer pessoa. O nome disto é empatia. É um gesto bem difícil aos que já estão acostumados a serem sempre o centro de todo o mundo (os mais ousados diriam universo!), mas, com uma boa prática diária, acaba sendo quase sempre assimilado. Este é o começo na evolução de uma pessoa ordinariamente comum (posso garantir que este “ordinariamente” não tem nenhum anglicismo!) a uma pessoa comum.

 

Como pessoa comum – cruze seus dedos para que esta fase aconteça rápido – não tente controlar as pessoas.

É muito ilógico seguir a empatia e manter-se firme nesta primeira regra (mesmo porque não há ninguém que aprecie ser controlado) e não dar a liberdade e nem a confiança para o outro ser quem ele é. Nesta hora é que pode se surpreender em saber como o outro percebe que esta sendo manipulado. Então, não jogue com pessoas. Este jargão de que ‘a vida é um jogo’ deve ficar em Las Vegas, para os que podem ter somente um jogo, não uma vida. A vida nunca será um jogo e, se você se transformar num jogador, sempre tem a possibilidade de perder. Ao passo que, se viver, ganha sempre. Em experiências, em sabedoria. A partir daí, você passa de pessoa comum a uma pessoa interessante.

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Publicado por: glau30 | 11 setembro, 2008

Carta de amor

Recebi hoje, em meu e-mail, a carta mais linda que já li. Embora linda, ela vinha de um amor não completamente correspondido, de um coração partido.

Em cada palavra um juramento de vida e, logo após cada vírgula, um adeus.

Ela se desenvolve totalmente ambígua, e, no final, já tão desiludida, termina como começou, sem saber o que fazer com aquele imenso amor.

 

Eu reli inúmeras vezes, na tentativa de resolver aquele impasse.

Não. Eu não poderia. E foram se passando os minutos, na frente do teclado, até que eu pudesse ter a coragem de escrever: “let it be”. Apaguei. Reescrevi.

 

A emoção em receber a carta é bem inferior a de quem manda. A surpresa é maior, posso garantir. E perguntava como, depois de tanto tempo, escreveu sentimentos em palavras? Será que eles terão a mesma força escritos do que sentidos?

O tempo passa para sentimentos, mas as palavras são, virtualmente, eternas.

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Publicado por: glau30 | 24 agosto, 2008

Olimpíada do dia a dia

Acabou Beijing. Acabou mais uma olimpíada. E com ela, lá se vão todas as dores e alegrias ou, simplesmente, a oportunidade de superar seus medos, superar seus esforços, superar-se inteiro.

Fixei meu olhar no queniano, medalha de ouro na maratona. Prova impossível esta. Prova que eu mesma, já sonhei terminar. Franzino, baixa estatura, de olhos bem assustados e quase cabisbaixos, ele subiu ao pódio. Recebeu a medalha e, quando a tocou pela primeira vez, abriu o seu melhor sorriso. E só chorou quando o hino de seu país tocou, mas não deixou as lágrimas rolarem. Poderia imaginar o que se passava dentro daquele corpo cansado, medalha de ouro. Ouvi comentários que ele mora atrás do Kilimanjaro. E corria 11 Km para chegar em sua escola, todos os dias – ida e volta – meia maratona.

Meia maratona para realizar outro sonho: o de estudar. O de querer ser alguém diferenciado do que ele via lá daquele seu lado. Correu para isso.

Na verdade, só por isso, ele já deveria ter recebido uma outra medalha de ouro. Aliás, talvez a medalha mais valiosa que ele tenha é a que não se materializou em Beijing.

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Publicado por: glau30 | 18 julho, 2008

Sabichões

Estou cansada dos sabichões.

De todos os tipos, indiscriminadamente.

 

Cansada dos sabichões intelectuais: inventam estatísticas, dizem que já leram o tema em alguma revista (sem citar a fonte), que pousam de “bonitos” com as informações vistas na primeira página do jornal.

Gabando-se de suas “inventices”, fingem sustentar a conversa com qualquer pessoa e falam de qualquer assunto. Com a propriedade rasa de dar a última palavra, contrariando, muitas vezes, quem discorda da sua certeza.

São estes caras que querem entender de vinhos pela premiação dada pela “Vejinha”, acham “chic” falar de charutos cubanos (mal sabem do nosso tabaco…), e quando não entendem o que um expertise fala, simplesmente se fazem de rogados e se rasgam para desmoralizar seu “oponente”.

Estes são os que não aprendem, os papagaios de almanaque.

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Publicado por: glau30 | 13 julho, 2008

Os relacionamentos são difíceis

Atendo um paciente que, além de seu problema tiroidiano, sempre me surpreende com a mesma fala “os relacionamentos são difíceis”.

Como era uma máxima, e eu de ouvinte – como todo médico deve ser –internalizava como sendo parte da consulta.

 

Entre as tantas outras consultas e histórias, sempre, de algum jeito, escutava a mesma frase. E não retrucava nada, entendendo aquele momento de desabafo e não mais pensava neste determinado assunto.

Sempre tive comigo que o relacionamento é a palavra chave para tudo dar certo. Desde de parar o carro com o manobrista, a resolver uma indicação de cirurgia. Sim, se nós nos relacionarmos adequadamente, tudo evolui, tudo se esclarece.

Mas, acontece que nem tudo é mesmo assim. E não era destes relacionamentos que ele me falava.

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Publicado por: glau30 | 4 julho, 2008

Benedito, gato Dito.

Meu gato Benedito adoeceu muito. Ele me acompanha desde o primeiro mês de faculdade. Foi roubado da área de experiências, enfiado forçadamente no bolso do jaleco, raptado para eu ter companhia.

São 17 anos de parceria com altos e baixos, pulos e miados.

Mas, sempre aí. Passou por namoros, casamentos, decepções.

Encontrou amigos, paixões, amor.

 

Reparei hoje, durante a cirurgia para retirar uma parte do seu intestino, que ele estava magro, de pêlo branco, desdentado. O Dito está velho. O Dito está cansado. E firme, agüentou mais uma, recusando-se a dar espaço para o não continuar.

E eu também, cada dia mais.

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Publicado por: glau30 | 13 junho, 2008

Médicos ilusionistas

Ainda existem pessoas que acreditam naqueles médicos que prescrevem as “fórmulas mágicas”. Promessas é que não faltam: emagrecimento “zás-trás”, perda de medidas definitivas; e conferem, a cada componente da imensa gama de 20 ou 30 combinações de nomes fitoterápicos, um significado próprio e único. A lista é tão grande que não cabe em uma única cápsula. E a mistura imprópria de diuréticos com hormônio tiroidiano, laxantes e anfetamínicos, só vão piorando a situação.

 

Longe de mim, eu ser contra prescrições com fitoterápicos, homeopáticos, ou mesmo os alopáticos seguros e comprovados no auxílio para perda de peso. Sou favorável, muito favorável. Desde que se tenha ética, ciência e consciência.

E estas três devem estar BEM equilibradas quando se bate o carimbo com o número do CRM no receituário. É o que seu paciente espera e, o mínimo que nós, filhos de Esculápio, devemos fazer para “conservar imaculada nossa vida e nossa arte”, se me permitem parafrasear o juramento de Hipócrates. Jurou, tá jurado! Esta é a parte médica. Frustro um pouco aqueles que entram em minha sala e esperam sair com milagre já em andamento…

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Publicado por: glau30 | 9 junho, 2008

A saúde da mãe vale ouro

Depois de longos e tenebrosos congressos, retorno ao blog. E escrevo com saudade de quem lê e com vontade de dizer como a saúde está doente.

Aliás, só tem mesmo uma Saúde com “S” maiúsculo quem tem muito (mas muito mesmo!) dinheiro.

 

Tristemente tive que pernoitar nestas últimas semanas num hospital. Afinal, mãe é única e a minha, muito mais que única. Durona.

Minha excursão chegou as três da manhã nas portas de um (dos dois) hotéis, melhor dizendo, hospitais de luxo de São Paulo. E ela gemia mesmo, era de dor. Era claro que não me identifiquei com todas as patentes para o meu colega, médico ortopedista que deu o primeiro atendimento. Achei que seria deselegante e desnecessário. Ledo engano. Ela fez seu primeiro exame de imagem, depois de eu muito insistir e após uma punção naquele joelho doente,  procedimento que ele acidentou – às seis horas. O plantão troca somente às sete, mas já as seis ninguém mais fazia nada. Era a “pré- passagem” do plantão. Às nove ela ainda estava deitada na maca do pronto atendimento, agora já sem a roupa (nem aquele “aventalzinho chinfrim” que eles oferecem…) porque a auxiliar de enfermagem (com todo mal humor que podia) colocou a comadre de forma errada e deixou a roupa toda se molhar com urina. E, eu vi minha mãe chorar, de vergonha e dor, pela primeira vez nesta internação.

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