Publicado por: glau30 | 1 novembro, 2008

Volta ao mundo

Viajar sempre foi um vício. Enfrentei, de mochila (na grande maioria das vezes), quase todas as regiões do Brasil. Gostei muito. Sempre imaginei dar a volta ao mundo. Disso, todos sabem. Tenho sede de conhecer novas praias, novas culturas, novas pessoas. Tenho ânimo em tentar novas comidas, novos passeios e adaptar-me em novas e inusitadas circunstâncias. Alguns destinos são incríveis. Alguns detalhes destes destinos são de muito valor…

 

A rota do Saara.

Não foi sem pensar que me lancei sozinha para Petra.  A cidade vermelha escavada nas pedras da Jordânia, atravessando Israel e, depois, o Egito, de mochila. Todos queriam saber das pirâmides, das múmias, das roupas, da maravilha da cidade escavada. São maravilhas, de verdade.

Mas eu queria saber o que era de verdade. Eu queria me sentir tão humilde diante daquele muro, e ver se eu conseguia ficar sem lamentar. No Muro das Lamentações eu chorei, sem querer, com meu papelzinho na mão, procurando uma fresta prá me deixar por lá. O pedido era simples: escrevi ‘paz’. Acho que chorei porque vi que era tão utópico o que eu pedi, e, ali mesmo, rasquei outro pedacinho de papel e escrevi: obrigada.

Deixei 2 papéis, dos muitos que eu me entrego a desenvolver: ficar em serenidade e agradecer.

 

A trilha inca.

Foram 4 dias e noites, caminhando na trilha, para chegar em Machu Pichu. Muito rum, muito frio na barraca. Não estava só, mas quem me acompanhava também queria saber da verdade. A verdade era saber se conseguir chegar, naquele território tão íngreme e tão sagrado, nos faria diferentes. E fomos. Quando olhei pela primeira vez o vale, lá de cima, decidi que poderia ser igual ou diferente do que eu mesma era, já não importava. O que importava era estar ali, na plenitude daquela manhã de sol. Fiquei vagando por lá, sozinha e acompanhada, e, eu me encontrei. A minha companhia não soube nunca sobre a felicidade vivida ali. Não sei se há tempo, mas registro.

 

O carnaval de Veneza.

Estava vivendo na Inglaterra. Depois de tantos copos lavados, podia viajar ali, na Europa, ainda não era tempo de Brasil. Mochila de novo nas costas, toca para Itália. Lá, como há muito estava sem família, eu me senti diferentemente em casa. Veneza é muito linda no espetáculo de fogos, o carnaval é que era com bem menos samba (!), e os italianos alegres, como eu queria naquele momento. E sem querer, na alegria de estar ali, ganhei cada sorriso, cada abraço e cada carta que, até hoje, escrevemos.

 

São muitos os meus destinos. Foram muitas idas e vindas; viajando, mochilando, pensando.

E, todas as vezes, eu retornei. Sei que sempre retornarei. Renovada, com saudades das minhas pessoas e da minha vontade de ser uma pessoa melhor, com aquele pouquinho da felicidade que eu trazia na bagagem. Apego-me a muito poucas coisas nesta vida: boa música, bons momentos, ‘Guiness’ muito gelada –eventualmente- [afinal, ningém é de ferro!], só para perceber que não tenho ao que me apegar. Também não sou eu quem viaja. O mundo é que tem dado, à sua bel maneira, as suas voltas comigo.

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